Mais cedo ou mais tarde, a tua prancha vai levar uma pancada: uma rocha, a quilha de outro surfista, a borda contra a porta do carro. Uma mossa pequena não é grave se for arranjada a tempo. O que estraga uma prancha é continuar a surfar com uma racha aberta: a espuma absorve água, fica amarela, pesa mais e acaba por delaminar. Este guia explica como reparar as mossas mais comuns consoante o material da tua prancha e quando vale a pena deixá-la nas mãos de um profissional.
Primeiro, de que é feita a tua prancha
Há três materiais principais, e cada um repara-se de forma diferente:
- PU (espuma de poliuretano + resina de poliéster): a prancha "clássica". A espuma é branca e fina, e costuma ter uma ripa de madeira no centro (a longarina ou stringer). Quando parte, a resina racha em linhas finas.
- EPS (espuma de poliestireno expandido + resina epóxi): mais leve e com mais flutuação. Se olhares para dentro de uma mossa, a espuma tem "bolinhas" como a esferovite das embalagens. Muitas vezes diz epoxy ou EPS na prancha.
- Softboard: deck de espuma macia e fundo de plástico deslizante (PEAD). Repara-se com colas e remendos, não com resina.
Se tiveres dúvidas, procura o modelo no site da marca ou pergunta ao shaper que a fez: no diretório tens os contactos.
A regra de ouro: poliéster só em PU
A resina de poliéster dissolve a espuma de EPS. Se a puseres numa prancha de epóxi, vais abrir um buraco em vez de o tapar. A resina epóxi, pelo contrário, serve para pranchas de EPS e de PU.
Por isso, se não sabes de que é a tua prancha ou tens pranchas dos dois tipos, compra sempre um kit epóxi.
Na praia: fita de emergência
Se levas uma pancada a meio de uma viagem ou de uma boa sessão, a solução imediata é a fita de reparação de emergência: uma fita adesiva impermeável (de alumínio ou de vinil) que tapa a racha e impede a entrada de água. Seca a zona, limpa a parafina e a areia e cola a fita pressionando bem do centro para as bordas. Aguenta várias sessões, mas é temporária: assim que puderes, tira-a, deixa a prancha secar e repara-a como deve ser.
A outra opção para a praia são as resinas que curam ao sol (resina UV): uma massa ou resina já preparada que endurece em poucos minutos com a luz do sol. Servem para mossas pequenas e existem em versão epóxi, que serve para qualquer prancha.
Fita de reparação de emergência
Tapa uma racha num minuto e deixa-te continuar a surfar. Indispensável no saco de viagem.
Resina que cura ao sol (UV)
Para mossas pequenas na praia: lixa, aplica, deixa ao sol dez minutos e lixa outra vez.
Reparar uma prancha de PU (poliéster)
- Deixa a prancha secar por completo, com a mossa para baixo, num sítio seco e à sombra. Se a espuma estiver escura, entrou água: pode demorar vários dias.
- Limpa a zona: tira a parafina com um raspador e um pouco de solvente, e lixa à volta da mossa com lixa de grão 80 para a resina agarrar.
- Enche a espuma que falta: mistura resina com microesferas ou fibra picada até teres uma massa, enche e deixa endurecer.
- Coloca a fibra de vidro: corta um ou dois remendos de tecido um pouco maiores do que a mossa, coloca-os e ensopa-os com resina catalisada, tirando as bolhas com uma espátula.
- Lixa e dá uma camada final (hot coat), deixa curar e lixa com grãos cada vez mais finos (120, 240, 400) até igualar a superfície.
Trabalha com luvas, máscara e boa ventilação: a resina de poliéster liberta vapores fortes. E se o teu kit não for de resina solar, não o deixes ao sol enquanto cura.
Kit de reparação de poliéster para pranchas de PU
Resina, catalisador, fibra e lixas. Só para pranchas de PU: não o uses em EPS.
Reparar uma prancha de EPS (epóxi)
O processo é o mesmo do PU, com três diferenças importantes:
- Usa só resina epóxi, nunca poliéster.
- Respeita a proporção da mistura (resina e endurecedor, normalmente 2:1 ou 1:1 consoante a marca). No epóxi não vale "pôr mais catalisador para secar mais depressa": se a proporção não for exata, não endurece bem.
- A secagem é mais lenta (de várias horas a um dia). Em troca, a reparação é mais resistente e amarelece menos.
As pranchas de EPS têm um risco extra: como a espuma tem células abertas, se entrar água espalha-se lá dentro com mais facilidade. Se notares que a prancha pesa mais ou soa a oco quando carregas à volta da mossa, leva-a a uma oficina.
Kit de reparação epóxi para pranchas de EPS
Serve para EPS e para PU: a opção segura se não sabes de que é a tua prancha.
Reparar um softboard
Os softboards não levam resina, por isso reparam-se de outra forma. Os cortes no deck de espuma colam-se com uma cola flexível de contacto ou de neopreno. Os riscos no fundo de plástico deixam-se como estão; se o fundo descolar ou rachar, há kits específicos com remendos de PEAD e adesivo. Seca bem a espuma interior antes de colar: se ficar água lá dentro, a prancha apodrece.
Kit de reparação para softboards
Cola flexível e remendos para o deck de espuma e o fundo.
Quando levá-la a uma oficina
As mossas pequenas no deck ou no fundo podem ser reparadas em casa. É melhor deixar nas mãos de um profissional se:
- a prancha está partida ou tem uma racha que atravessa a borda de um lado ao outro;
- saltou uma caixa de quilha ou o plug do leash;
- há uma zona grande delaminada (a fibra separa-se da espuma e forma uma bolha);
- a prancha é cara ou especial: uma custom de um shaper, uma prancha de madeira ou de competição.
Muitos shapers do diretório também reparam pranchas, e há oficinas especializadas em reparações em várias zonas de surf. Uma reparação profissional de uma mossa normal costuma custar entre 20 e 60 €; uma caixa de quilha, de 40 a 80 €; e uma prancha partida, a partir de 100 €.
A tua prancha já não tem arranjo? É uma boa altura para falar com um shaper local: no diretório tens mais de 200 em toda a Europa. E se viajas muito, lê também o nosso guia para viajar com a prancha.